segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Ser Horácio na vida

Poww... se tem uma coisa que não gosto nessa moda de rede social, e todo mundo virar meio comentarista de tudo, é a piada com a dor ou sofrimento do outro. Gosto não... não acho a menor graça e chego a me irritar. Se isso é sinal de ser ranzinza, então tô lá no início da fila do “ranzinismo”. Não rio em público daquilo que não me faz rir sozinha (obrigada pela inspiração e clareza das palavras, Clarice Lispector).

Nas últimas semanas choveu piadas sobre Amy Winehouse, o massacre do cinema no filme do Batman... Tenho medo de onde a gente vai parar se começarmos a fazer concessões de sorrisos ao piadista imbecil do momento. Quem tem que se constranger é quem faz a piada, e não a vítima da violência. Se a gente ri, se leva adiante uma fofoca, estamos ajudando a construir que tipos de relações entre nós? A princípio, todos concordam com isso, não é? Mas não raro vemos os bacanas dando risinhos de canto de boca, extasiados diante da tela de seus facebooks. Porque o que não falta é gente por aí que se acha bacana, que acha que faz o que pode. Não. A gente tem que fazer mais do que acha que pode, porque a gente pode mais.

Não somos seres perfeitos, é certo, mas pra algumas coisas a gente tem que ficar atento sim. E isso não tem nada a ver com a onda do politicamente correto estéril que tomou conta do Brasil. Mesmo porque as pessoas que se indignam diante de um humor sem jeito e mal feito costumam ser as mesmas que se juntam para criticar, julgar a roupa de fulano, o jeito de beltrano... Ai... como o mundo fica chatinho com esse tipo de atitude.

Estou falando da gente ser mais amoroso em nossas relações, mais cuidadoso, sem ter que levantar bandeira do Bem, sabe? Sem ter que fazer disso uma promoção pessoal, uma vantagem na personalidade. Sem ter que se achar um ser especialíssimo e perfeito por isso.

Pra essa discussão, impossível não me vir à mente o personagem de Maurício de Sousa, o Horácio. Ele é um Tyrannossaurus rex e, no entanto, é também gentil, amigo, preocupado em auxiliar o próximo, cheio de divagações filosóficas, que não ri quando alguém cai. Pois é... e olha que Horácio é um dinossauro, um réptil sem córtex cerebral desenvolvido, fazendo, como disse Saramago (não sobre Horácio, mas sobre os animais de um modo geral), melhor com os seus instintos do que nós com a nossa inteligência.


Está aí um grande aprendizado para nós seres humanos: parar de rir de alguém, para perceber o divertido que é rir com alguém. Sei lá, quem sabe assim a gente pode deixar o mundo mais acolhedor.

Então, pra começar, vamos baixar uma regra: se não tem palavras doces pra dizer, pra que ferir?

Valeu, Horácio!

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